A Academia será composta de: patronos das cadeiras, membros efetivos e membros honorários.
A escolha dos patronos e os convites aos primeiros membros efetivos e honorários passou por um critério dentro do grupo organizador, convidando pessoas com espírito boêmio, o que não implica apenas o gosto e bom uso da bebida alcoólica. Dentre os convidados existem cidadãos abstêmio, mas com boemia na alma.
- Major Bonifácio
- Benedito Bentes
- Teotônio Vilela
- Rubens Colaço
- Cyro Acioly
- Teófilo Lins
- Ordener Cerqueira
- Gonguila
- Geraldo Patury
- Benedito Alves dos Santos - Mossoró........
- Aldo Flores
- Juvenal Lopes
- Marcos Vinicius
- Paurílio
- Luis Ramalho de Castro
- Noaldo Dantas
- Odete Pacheco
- Haroldo Miranda
- Louvain Ayres
- Aurélio Buarque de Holanda
- Paulo Renaut
- Tobias Granja
- Arnoldo Jambo
- Zito Cabral
- Linda Mascarenhas
- Saleiro Pitão
- Zé Alexandre
- Jararaca
- Calazans
- Ednor Bittencourt
- Odilon Souza Leão
- Paulo Sá
- Duda Calado
- Alberto Jambo
- Eduardo Calheiros
- Sabino Romariz
- Maria Maria
- Jarsen Costa
- Edson Frazão
- Zé do Cavaquinho
- Humberto Rosa e Silva
- José Lima
- Alzir Furtado
- Osvaldo Vilela
- Dedé Lessa
- Germano Santos
Pedimos desculpas aos inúmeros boêmios que aqui não foram relacionados. Para reparar esse lapso de memória queremos afirmar que a Academia Alagoana da Boemia não tem número fixo por enquanto e está de braços abertos a todos que não sejam chatos.
MEMBROS HONORÁRIOS CONVIDADOS
Teotônio Vilela Filho (Al)
Cacá Diegues (Al)
Renata Magalhães (Rj)
Djanira Macedo (Sp)
Luís Berto Filho (Pe)
Gustavo Krause (Pe)
Zelito Nunes ( Pe)
Ênio Lins (Al)
Luís Carlos ( Ba)
Janaína Amado(Ba)
Ricardo Mota (Al)
Ângelo Roberto (Ba)
Maria José Palmeira (Al)assessora de imprensa da AAB
José Renato Bóia Rocha (Sp)
Bloco Pinto da Madrugada (Al)
Seresteiros da Pitanguinha (Al)
Fernando Madeiro (Pe)
Vladimir palmeira (Al)
DUAS CRÔNICAS DE CARLITO LIMA
ACADEMIA ALAGOANA DA BOEMIA
Existem estudos e provas que o ambiente, o visual, o clima, o céu, o mar, a montanha, influenciam o comportamento humano. Aqui no Nordeste, mesmo com a cruel e injusta distribuição da riqueza, o povo continua generoso, sensual e feliz. As cidades ficam em festa com nativos e turistas se misturando em conluio com a alegria, principalmente no verão.
Lelé tem uma teoria interessante: a temperatura morna, tépida, a cor azul esverdeada da água dos mares nordestinos, têm uma energética influência na libido e na alegria das pessoas. É comum casais dentro do mar abraçarem-se com mais carinho e mais tesão. A água morna aumenta a temperatura do sangue fluindo mais veloz nas veias para festa dos amantes, levantando outras coisas além da libido. Já se tornou comum, casais juntinhos, afastados da beira-mar com a água cobrindo o corpo no peito, se beijando, se abraçando. Há quem diga que a melhor coisa do mundo é a transa aquática. O problema é não deixar a água levar o calção ou o biquíni.
Essa gostosa desenvoltura sexual só pode acontecer em águas nordestinas. Duvido que alguém tenha algum desempenho no mar de Copacabana. Quando a Cicarelli descobrir a praia da Pajuçara ou de Boa Viagem, vai ficar maluca.
A influência energética sexual atinge também a libido dos solteiros. Os solitários dentro d’água ficam tocados pela água agradável, muitos dão um axé ao Deus Onã praticando o onanismo descaradamente em intenção das belas mulheres que estendem o corpo na areia da praia em busca de dourar seus pelos e pernas. Se você vê um cara mergulhado com o corpo dentro d’água aparecendo apenas a cabeça, é um suspeito, com 90% de possibilidade.
Como madame? Se é bom levar seu marido à praia? Claro! Ele vai sentir uma comichão, um bulício nas entranhas quando entrar n’água. Aconselho a senhora acompanhá-lo. Inicie a brincadeira assim que o corpo estiver na mesma temperatura da água. A madame vai adorar.
Outro grande fator climático que influencia o nordestino, é a brisa. Manoel Bandeira já cantou a brisa em poema: “Vamos viver no Nordeste Anarina... Aqui faz muito calor... No Nordeste faz calor também... Mas no Nordeste tem brisa... Vamos viver de brisa Anarina...”
A brisa fresca noturna dá vontade de jogar conversa fora, contar mentiras, ouvir música, beber cerveja, um bom uísque com tira-gosto de carapeba ou panã. Depois quando estiver cansado de não fazer nada, arrastar sua amada para um quarto numa cama onde a brisa acarinhe seu corpo no momento do amor.
Dirceu me confessou que não dispensa a brisa noturna. Agora que se separou, leva as namoradas acidentais para o pequeno apartamento onde mora no edifício Patmo, abre a porta e a janela, deita-se abraçando a amada deixando-se acariciar pela brisa noturna. É seu passatempo predileto.
A brisa favorece aos boêmios. As criaturas que gostam das noitadas ficam, às vezes, até pegar o sol com a mão por conta da temperatura agradável, da brisa fresca da madrugada. No frio você quer cama e cai no sono com facilidade.
Por tudo isso o nordestino tem o espírito boêmio, adora a boemia. Boemia segundo o Aurélio é vida alegre, despreocupada, vadiagem, noitadas gostosas. Não é apenas a cachaça amiga. O boêmio pode ser até abstêmio. Mário Lago certo dia me falou no Bar do Alípio à margem da Lagoa Mundaú, que ele tinha deixado de beber, tornou-se abstêmio, continuou boêmio. A partir daí comeu as melhores mulheres de sua vida.
Como queríamos demonstrar o nordestino antes de tudo é um povo feliz, sensual, inteligente e boêmio. Por conta disso um grupo de bons pernambucanos, entre eles Zelito Nunes, Gustavo Krause, resolveu criar a Academia Pernambucana da Boemia. Uma entidade com 40 mortais que se encontram para conversar e cachaçar.
Essa entidade de relevado valor cultural, moral e intelectual, foi inspiração para que alguns boêmios alagoanos fundassem também a ACADEMIA ALAGOANA DA BOEMIA, cuja posse dos membros efetivos e honorários se dará no próximo dia 26 de janeiro a partir do pôr-do-sol na Praça Gogó da Ema, no Acarajé do Alagoinha, Praia de Ponta Verde, com muita música, poesia, cachaça e vadiagem para todos.

OS ATORES CHICO DE ASSIS E JULIANA DECLAMANDO EM NOITE DE REUNIÃO DA ACADEMIA ALAGOANA DA BOEMIA
A BOEMIA E JOÃO LYRA
Muita gente boa confunde boemia com cachacismo desenfreado, com porres homéricos, com boates, mulheres e bêbados. De fato, há alguns anos atrás a boemia se dava nos cabarés, nos bares e era quase privilégio masculino. Mulher que bebia, fumava ou gostava da noite, tinha má fama, era crucificada pela sociedade patrulhadora. Hoje a boemia agrupa pessoas que gostam da noitada, que amam a música, a poesia, uma boa bebida.
A boemia tem suas regras, por exemplo: é pecado inaceitável um boêmio se embriagar, ficar bêbado chato sem saber onde está. O boêmio não é mais aquele cara encrenqueiro, brigão. O bom boêmio quer saber apenas de paz, amor e alegria. O boêmio bebe por prazer, para curtir a noite, a música, a companhia, os amigos e certamente a bebida.
Um amigo boêmio, por saúde, diminuiu os porres, bebe menos, ficou espantado como aproveita mais as noitadas. A mulherada sobra no fim de noite; ele sempre disponível e com tesão. É o mais procurado. Segundo ele, está comendo as melhores mulheres de sua vida, principalmente amigas dos bêbados que não dão mais nada.
Hoje a boemia deixou de ser exclusividade dos homens, qualquer mulher que gosta da noite, de uma boa bebida, de música e poesia é boêmia em potencial, por isso minha cara amiga, se a senhora se sentir dentro dessas condições está apta a entrar na Academia Alagoana da Boemia criada recentemente por alguns boêmios dessa terra. É a segunda do Brasil, a primeira foi fundada em Pernambuco, nossos vizinhos, nossos irmãos.
Na última sexta-feira houve a primeira reunião festiva da Academia. Uma beleza, segundo os que foram para gostosa noitada no Restaurante Canto dos Cantos. Começou com as boas-vindas aos que lotavam o recinto com a apresentação de um show com Max Denis. No intervalo enquanto a moçada entrava no bom uísque, cerveja e tira-gosto, para distrair os boêmios, eu contei algumas histórias da boemia de Maceió nos anos 60/70: como funcionava os cabarés de Jaraguá e a Boate Areia Branca do Mossoró, grande figura da noite alagoana. Senti que diverti a moçada com os casos contados. Ao entregar o microfone aos músicos que davam canja naquela noite, apareceu de surpresa nosso maior ator (global) Chico de Assis com a bela atriz Juliana e uma bandinha de Santa Luzia do Norte. Eles nos deram o maior presente da noite em forma de poesia. Recitaram belos poemas de Sidney Wanderley, Jorge de Lima, cantaram músicas do folclore, o guerreiro, as pastoras: “Boa noite meus senhores todos, boa noite senhoras também, somos pastoras, pastorinhas belas, que alegremente vamos à Belém...” A platéia em delírio aplaudiu em pé esses dois monumentos da cultura alagoana.
A noitada continuou comandada pelo advogado, boêmio, cantor, Zé Ivo Bulhões. Dydha Lyra deu um show com sua voz de tenor, Maurício abafou. Assim prosseguiu a noitada com os boêmios recebendo o diploma de membro efetivo da AAB. Agora é só esperar para próxima reunião, uma por mês. Foi aceita a proposta do intelectual, economista, boêmio professor Radjalma Cavalcante em haver entrevista ou debate durante as reuniões.
Boemia lembra meu tempo de solteiro. Nos anos 68/69 eu era capitão do Exército, a barra estava pesada, terroristas, a turma do Zé Dirceu, Dilma, Genoíno, assaltava bancos, “se apropriava” de dinheiro para “revolução socialista”, matava segurança, policial. Até oficiais do Exército americano, alemão, foram metralhados. Meu comandante no 20º BC alertou para que todos os militares tomassem precauções. Havia oficial que andava com soldado bom atirador como segurança. Certa manhã entrei no alojamento da 3ª Companhia, um soldado tocava violão numa roda. Ao me ver gritaram “Alojamento, sentido!”. Eu comandei “À vontade” e mandei continuar a música. Ouvi um pouco o violinista, dei ordem: “Apresente-se no meu gabinete no início do expediente da tarde”. Às 14 horas o soldado entrou batendo continência: “Pronto capitão, soldado João Lyra se apresentando!”. Mandei abaixar o braço, encarei o soldado, dei-lhe outro destino: “De hoje em diante você vai ser meu assessor especial, para onde eu for você me acompanhe, você será meu ordenança, meu segurança”.
A cidade de Maceió ganhou mais um boêmio, um grande violão. João Lyra, irmão do nosso grande Dydha Lyra, é hoje o violão mais procurado pelos grandes cantores do Brasil: Gal Costa, Fagner entre outros, brigam pelo acompanhamento musical de João Lyra, só fazem show com ele. Foi mais um artista saído do berço da boemia alagoana para os palcos do Brasil. João Lyra faz parte do orgulho alagoano.